PORTOS BRASILEIROS AMPLIAM MONITORAMENTO DO TRÁFEGO MARÍTIMO COM NOVAS TECNOLOGIAS
Publicado em: | Categoria: Notícia de Comércio ExteriorINOVAÇÃO PORTUÁRIA
Portos brasileiros ampliam monitoramento do tráfego marítimo com novas tecnologias
Serviços de tráfego de embarcações e sistemas de integração de dados contribuem para a segurança da navegação; Santos (SP) e Rio Grande (RS) têm iniciativas em implantação
Tecnologias de monitoramento permitem acompanhar o tráfego de embarcações em tempo real e contribuem para a segurança da navegação nos portos brasileiros. | Foto: Agência Marinha de Notícias
O monitoramento do tráfego marítimo com o apoio de tecnologias como radares, câmeras e sensores já faz parte da rotina de alguns complexos portuários brasileiros e está em expansão no país. Essas ferramentas permitem acompanhar a movimentação de embarcações, identificar situações de risco e fornecer informações que ajudam a organizar as operações e a planejar manobras de entrada e saída dos portos.
No maior porto da América Latina, em Santos, a Autoridade Portuária de Santos assinou, em agosto deste ano, um contrato de cerca de R$ 89 milhões para implantar uma nova estrutura de monitoramento, o Sistema de Gerenciamento e Informações do Tráfego Marítimo, também conhecido como VTMIS.
Já Porto de Rio Grande (RS) está em andamento a implantação de um Serviço de Tráfego de Embarcações (VTS, na sigla em inglês), que deverá ser o primeiro desse tipo em um porto público brasileiro. As iniciativas integram o processo de modernização da infraestrutura portuária acompanhado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).
Tecnologias complementares
Embora estejam relacionados ao monitoramento do tráfego marítimo, VTS e VTMIS não são a mesma coisa. O VTS é um serviço prestado por uma autoridade competente, que usa recursos tecnológicos e equipes especializadas para acompanhar a movimentação das embarcações, fornecer informações aos navegantes e responder a situações que possam comprometer a segurança da navegação.
Já o Sistema de Gerenciamento e Informações do Tráfego Marítimo (VTMIS, na sigla em inglês) permite integrar e compartilhar os dados produzidos pelo VTS com outros setores e serviços ligados à atividade portuária. Com isso, as informações também podem apoiar a gestão das operações, o monitoramento ambiental e a coordenação entre diferentes órgãos.
Na prática, o VTS funciona de maneira semelhante a uma torre de controle, mas voltada ao tráfego marítimo. O serviço reúne informações sobre a posição, a velocidade e o deslocamento das embarcações, além de dados sobre as condições meteorológicas e oceanográficas. Esse acompanhamento permite identificar possíveis conflitos de tráfego, reduzir riscos de colisões e encalhes e apoiar a resposta a situações de emergência.
Para o secretário nacional de Portos, Alex Ávila, o uso de tecnologias de monitoramento amplia os recursos disponíveis para organizar o tráfego marítimo e melhorar a segurança das operações. “Com essas ferramentas, é possível acompanhar melhor a movimentação dos navios, identificar situações de risco e oferecer mais segurança para quem opera nos portos. A integração das informações também contribui para o planejamento das operações e para uma logística mais eficiente”, destacou.
Implantação em Santos
O projeto contratado pela APS prevê a instalação de radares, câmeras e estações de monitoramento em pontos estratégicos, incluindo a Ilha da Moela, no Guarujá. Os equipamentos permitirão acompanhar a movimentação das embarcações desde a aproximação ao porto até a navegação pelo canal de acesso e pelas áreas próximas aos terminais.
As informações serão reunidas em um centro operacional, onde poderão ser usadas para acompanhar o tráfego marítimo e apoiar decisões relacionadas à segurança da navegação. O sistema também deverá contribuir para identificar embarcações suspeitas ou não autorizadas e para compartilhar informações com órgãos como a Marinha do Brasil, a Polícia Federal e a Receita Federal.
A previsão divulgada pela APS é de que o sistema comece a operar parcialmente em 2027, com a disponibilização progressiva de suas funcionalidades. O prazo total de implantação é de até dois anos.
Experiências em operação
O Porto de Vitória, no Espírito Santo, foi o pioneiro do país a contar com um sistema VTMIS, em 2017. A estrutura funciona 24 horas por dia e reúne informações obtidas por radares, câmeras, equipamentos de identificação automática de embarcações e sensores meteorológicos e oceanográficos.
O acompanhamento abrange áreas de fundeio, canais de acesso e regiões próximas ao complexo portuário. Dados sobre visibilidade, marés, ventos e correntes marítimas também auxiliam no planejamento das manobras e na segurança da navegação. Além disso, o compartilhamento das informações permite apoiar outras atividades e serviços relacionados à operação portuária.
Outra experiência é a do Porto do Açu, terminal de uso privado em São João da Barra, no Rio de Janeiro. O complexo foi o primeiro do Brasil a contar com um centro VTS homologado pela Autoridade Marítima, em 2015.
No Açu, o serviço é prestado por um centro de controle que acompanha a movimentação marítima em tempo real. A equipe usa informações sobre a localização e o deslocamento das embarcações para orientar o tráfego e contribuir para a prevenção de acidentes e a proteção do meio ambiente.
Além do projeto em Santos, o Porto de Rio Grande está implantando um serviço VTS, que deverá ser o primeiro em um porto público brasileiro. A estrutura ampliará os recursos disponíveis para acompanhar o tráfego de embarcações e contribuir para a segurança da navegação no complexo portuário gaúcho.
Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos
Categorias
Infraestrutura, Trânsito e Transportes
Fonte: Portal Portos e Aeroportos