COM DEMANDA EM ALTA, PORTO DE SANTOS APOSTA EM TECNOLOGIA PARA SUPERAR GARGALOS
Publicado em: | Categoria: Notícia de Comércio ExteriorCom demanda em alta, Porto aposta em tecnologia para superar gargalos
O Porto de Santos vive um paradoxo. Em 2025, o complexo movimentou 186,4 milhões de toneladas, recorde histórico e alta de 3,6% sobre o ano anterior, respondendo por 29,6% da corrente comercial brasileira. É a prova de que o complexo está mais forte do que nunca. Mas é justamente esse crescimento que ameaça travá-lo.
A conclusão é do Estudo Santos 10+, realizado pelo Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), com o consórcio técnico formado por 4Infra, TYLin e Paragon. Foram oito meses de levantamento e simulações, cruzando volume atual e projeções conservadoras de expansão. O resultado: 253,6 milhões de toneladas movimentadas em 2030 e 291,1 milhões em 2035, aumentos de 36% e 56%, respectivamente.
O problema é que a capacidade instalada não acompanha esse ritmo. Os terminais de carga geral, que hoje atuam com 79% de sua capacidade, devem chegar a 95% em quatro anos. Nas instalações de contêineres, a ocupação salta de 82% para 94% no mesmo período. A Alemoa aparece como o principal gargalo e as obras em andamento ajudam, mas não resolvem. As intervenções previstas são consideradas insuficientes diante da demanda projetada.
Nos acessos terrestres, o cenário já é crítico. Hoje circulam mais de 1.467 caminhões por hora pela região do cais santista, sendo a projeção para 2035 de 2.126 caminhões por hora. Em fevereiro último, um congestionamento contínuo de 20 quilômetros, entre os Kms 34 e 54, misturou tráfego de turismo e de carga rumo ao litoral. O estudo é direto: em todos os contextos simulados haverá engarrafamentos severos, com velocidade média chegando a 0 km/h. Pontos como o eixo Valongo-Saboó, a Avenida Perimetral da Margem Direita, trecho da Alemoa e os canais 4 e 5 concentram os principais entraves da cidade.
Expansões como o novo terminal da Arauco, o Tecon 10, o terminal de grãos da DPW/Rumo e a ampliação de terminais de contêineres já estão programadas até 2030. Obras estruturais, como a terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, o túnel Santos-Guarujá e o aprofundamento do canal para 17 metros, têm horizonte em 2035. Mesmo assim, o próprio estudo reconhece que essas soluções, isoladamente, não serão suficientes.
É diante desse retrato que a Bandeirantes Deicmar aposta em tecnologia e processos inteligentes como resposta. A empresa apresenta duas frentes complementares: o ConnectSys e o ConnectHub, um ecossistema pensado para acelerar e dar mais previsibilidade nas operações portuárias de seus clientes.
O ConnectSys busca, organiza e antecipa etapas da operação automaticamente. A partir da integração de dados, a inteligência artificial informa o andamento da mercadoria, orienta prazos e reduz o dwell time (tempo que a carga passa parada no porto) em até 4 dias. Já o ConnectHub funciona como um carrossel rodoviário, operando 24 horas por dia, seis dias por semana, consolidando cargas de diferentes clientes em uma única carreta até os novos hubs estrategicamente localizados em Cajamar, ABC e Guarulhos. O resultado é a redução de custo e de tempo em cada etapa da cadeia, aproximando ainda mais a carga do cliente final e evitando os problemas dos gargalos do Porto.
O momento também é estratégico sob outro ângulo. Estudos sobre logística global apontam que 69% das cadeias de suprimento que atendem o mercado norte-americano devem estar baseadas nas Américas nos próximos anos, ante 59% hoje. A tendência do nearshoring reforça a necessidade de a carga estar próxima da produção e coloca o Porto de Santos, e sua capacidade de escoamento, no centro dessa disputa por competitividade regional.
O porto cresce e os desafios também. A diferença estará em quem estiver preparado para operar de forma mais inteligente, previsível e competitiva. E é justamente essa a proposta que a Bandeirantes Deicmar coloca em prática: a de transformar o caos anunciado em rotina sob controle.
Fonte: Portal A Tribuna