EUA APLICAM TARIFA DE 25% SOBRE IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS BRASILEIROS A PARTIR DE 22 DE JULHO
Publicado em: | Categoria: Notícia de Comércio ExteriorEUA aplicam tarifa de 25% sobre importação de produtos brasileiros a partir de 22 de julho
Por Estevão Taiar, Valor — Brasília
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2026/e/A/GjC6KuQRukQVFwPcpBdA/ap26196713222684.jpg)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — Foto: AP/Matt Rourke
O governo americano publicou na noite desta quarta-feira (16) a resolução que estabelece tarifa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil. A tarifa, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, entrará em vigor na próxima quarta-feira (22).
Como publicou o Valor nesta quarta-feira, ainda que considerasse praticamente inevitável um novo tarifaço e veja contaminação ideológica no processo conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o governo Lula avalia que há chances de os EUA ampliarem a lista de exceções à nova alíquota de 25%.
A disposição do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido demonstrar à Casa Branca que permanecerá na mesa de negociação.
Existem na medida do USTR, porém, mais de 2 mil itens isentos do tarifaço, que se somarão a outros que já estavam fora do alcance da taxação, como certos tipos de carnes, café, frutas, ferro e partes de aeronaves.
Agora se somam às exceções ferro-gusa, café solúvel sem adição de sabor, mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e aço, determinados frutos do mar, couros, alguns produtos de madeira, medicamentos e insumos farmacêuticos, além de antiguidades, obras de arte e roupas usadas.
A justificativa é que esses itens são insumos importantes para a indústria americana, têm pouca oferta doméstica ou são difíceis de substituir por fornecedores de outros países, de modo que a sobretaxa poderia provocar aumento de custos e desorganizar cadeias produtivas nos EUA.
Em vários casos, o USTR argumenta que os Estados Unidos dependem do fornecimento brasileiro ou que a aplicação da tarifa traria prejuízos maiores à economia americana do que pressão efetiva sobre o Brasil.
Nem todos os pedidos de isenção foram aceitos. O governo americano rejeitou solicitações apresentadas por setores como máquinas agrícolas, máquinas industriais, vestuário, calçados, equipamentos elétricos, ferramentas de jardinagem, papel, açúcar orgânico e diversos produtos manufaturados.
Embora empresas tenham alegado aumento de custos e dificuldade para substituir fornecedores brasileiros, o USTR concluiu que esses bens podem ser obtidos em outros mercados ou que as consequências econômicas não justificam uma exceção à tarifa.
O texto final também endureceu a proposta inicial em alguns pontos. A agência retirou da lista de isentos a celulose de alta pureza, após receber manifestações de que produtores brasileiros do insumo seriam beneficiados por práticas ligadas ao desmatamento ilegal.
Além disso, restringiu a isenção de determinados produtos químicos apenas às aplicações farmacêuticas, mantendo a cobrança da tarifa quando destinados a outros usos industriais.
Reação da indústria
Representantes da indústria brasileira se manifestaram após os Estados Unidos divulgarem o tarifaço.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nota em que informa acompanhar com preocupação o anúncio sobre nova tarifa de 25%, confirmada na quarta-feira pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo a nota, a sobretaxa agrava um cenário que já vinha pressionando as exportações nacionais e amplia a insegurança para empresas dos dois países.
"Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Os impactos das tarifas adotadas pelos Estados Unidos, desde 2025, já são percebidos no comércio bilateral. As exportações brasileiras para o mercado norte-americano diminuíram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões. A retração foi influenciada pela redução de 8,7% nas vendas de bens industriais, especialmente de produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e produtos semimanufaturados de outras ligas de aço. Apesar da queda, os Estados Unidos permaneceram como principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira no período.
Os efeitos das tarifas em vigor desde 2025 também já aparecem nas exportações dos estados brasileiros. No primeiro semestre deste ano, 20 das 27 unidades da Federação registraram queda nas vendas para os Estados Unidos em comparação com o mesmo período de 2025.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também divulgou nota na qual informa que avalia com grande preocupação a decisão do governo dos Estados Unidos.
Segundo a Fiemg, a medida cria uma diferença relevante em relação a fornecedores de outros países que disputam os mesmos compradores. O impacto efetivo dependerá dos produtos alcançados, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento concedido aos concorrentes internacionais.
Entre as possíveis consequências estão a substituição de fornecedores brasileiros, a pressão pela redução de preços e margens e a renegociação de contratos, prazos e condições comerciais, diz a nota.
“A tarifa de 25% altera de forma expressiva as condições de acesso dos produtos brasileiros ao mercado americano. Será fundamental garantir clareza sobre os produtos atingidos, os prazos de implementação da medida e o tratamento dos contratos em andamento, reduzindo as incertezas para as empresas exportadoras”, afirma Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios da Fiemg.
A Fiemg reforça a necessidade de intensificar as negociações entre Brasil e Estados Unidos e garantir regras claras para contratos já firmados, cargas em trânsito e implementação da medida, evitando uma perda prolongada de competitividade para a indústria brasileira, informa a nota.
Fonte: Portal Valor Econômico