VEJA COMO A GUERRA NO IRÃ E AS TARIFAS DE TRUMP IMPACTAM COMÉRCIO EXTERIOR DO BRASIL
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Brasil ganha com exportação de petróleo no 1º tri, mas reduz vendas aos EUA
Por Rafael Rosas — Do Rio
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Lia Valls, consultora do FGV Ibre, destaca que tarifas e guerra no Oriente Médio trazem cenário de total incerteza — Foto: Rogerio Vieira/Valor
O Indicador de Comércio Exterior (Icomex), elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), mostrou que o primeiro trimestre foi marcado por um “novo choque” produzido pelo governo do presidente americano, Donald Trump, ao iniciar a guerra com o Irã. De acordo com o estudo publicado nesta terça-feira (14) pelo FGV Ibre, “novamente, entre anúncios de trégua e acirramento da tensão, o mercado de petróleo e derivados é o mais impactado no curto prazo”.
“O momento é de incerteza”, afirma Lia Valls, consultora do FGV Ibre e responsável pelo Icomex.
No estudo, o FGV Ibre ressaltou que “o não cumprimento das regras do direito internacional estabelecidas pelas instituições multilaterais torna cada vez mais imprevisível e incerto o cenário internacional, que passa a ter efeitos em toda a agenda das relações econômicas internacionais”.
O Icomex destacou o comportamento das vendas de petróleo brasileiro para o exterior. No primeiro trimestre, o superávit brasileiro com as vendas de petróleo bruto aumentou de US$ 7,9 bilhões para US$ 11 bilhões, na comparação com os três primeiros meses do ano passado. Mas os derivados de petróleo se mantiveram com o mesmo valor, com saldo negativo. Para o FGV Ibre, os maiores desafios para o Brasil para manter positivo o saldo da balança neste setor estão atualmente nas importações de óleos combustíveis.
“O alerta nos derivados depende de quanto vai demorar o conflito. O primeiro impacto foi no preço. Mas se demorar pode ter mais problemas”, disse Valls, em referência a riscos de abastecimento.
EUA perdem presença na exportação brasileira, enquanto China ganha espaço
O Icomex de março também detalhou o comportamento das vendas de produtos brasileiros aos Estados Unidos, com o aumento das tarifas por parte do governo norte-americano como pano de fundo. Os dados mostram que as exportações para os Estados Unidos caíram mesmo antes do tarifaço, mas a queda se acentuou depois..Entre o primeiro trimestre de 2025 e igual período de 2024, as exportações brasileiras tinham recuado 0,8% em valor. Agora, na comparação dos três primeiros meses de 2026 com igual período do ano passado, a queda foi de 18,7%.
Valls destacou que, entre os 28 setores analisados, 24 reduziram as exportações para os EUA entre o primeiro trimestre de 2026 e o de 2025.
Apenas quatro setores aumentaram as vendas aos Estados Unidos no primeiro trimestre: máquinas e equipamentos elétricos; fumo; máquinas e equipamentos; e produtos de informática. Valls explicou que esses avanços podem ser explicados por estratégia de multinacionais, com vendas dentro das próprias companhias.
Na comparação entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026, a fatia dos EUA nas exportações brasileiras caiu de 12,5% para 9,5%, enquanto a da China subiu de 25,5% para 29%. “Se um dos objetivos da política comercial de Trump é diminuir a presença da China na América Latina, o tarifaço produziu o resultado oposto”, disse o FGV Ibre.
Fonte: Portal Valor Econômico