MAIS DE 1/4 DA IMPORTAÇÃO DO BRASIL TEM ORIGEM NA CHINA
Publicado em: | Categoria: Notícia de Comércio Exterior-ImportaçãoMais de 1/4 da importação do Brasil tem origem na China
Num 2025 marcado pela resiliência das importações no primeiro semestre e pelo aumento das exportações à China em meio ao tarifaço americano na segunda metade do ano, o superávit de US$ 68,3 bilhões da balança comercial brasileira foi maior que o esperado inicialmente, mas menor do que os US$ 74,2 bilhões de 2024. A China se manteve na liderança absoluta tanto entre os destinos dos embarques brasileiros como nas origens das importações. Nas compras externas, bateu novo recorde, responsável por mais de um quarto — 25,3% — das importações brasileiras em 2025.
O saldo de 2025 foi resultado de US$ 348,7 bilhões em exportações e US$ 280,4 bilhões em importações, segundo divulgou a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic). A queda do superávit ante 2024 é explicada pelo ritmo maior de crescimento das importações, que subiram 6,7%, quase o dobro da alta de 3,5% registrada nas exportações. Ainda assim, com a expansão, exportações, importações e corrente de comércio alcançaram em 2025 o maior patamar da série histórica.
Para 2026, apontam economistas, as incertezas vão desde o resultado das negociações do que ainda segue sobretaxado pelos Estados Unidos até novas medidas protecionistas adotadas por México e China, além dos impactos que a atuação americana na Venezuela pode ter sobre a geopolítica regional. Também há expectativas positivas, como o desfecho do acordo comercial entre União Europeia (UE) e Mercosul.
Para José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o nível de incertezas ajuda a explicar a amplitude da estimativa da Secex para este ano, que projeta superávit comercial brasileiro entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões.
“O resultado de 2025 foi bem superior ao que todos imaginavam no início do ano passado, quando os saldos estavam fracos porque as importações ainda cresciam acima do esperado. No segundo semestre houve desaceleração das importações e as exportações tiveram aumento que não era previsto por ninguém”, afirmou Castro. A Secex projetava superávit de US$ 61 bilhões em 2025, US$ 7,3 bilhões abaixo do observado.
As exportações de soja à China, destaca Castro, ganharam mais força no segundo semestre e romperam a sazonalidade histórica, permanecendo relativamente fortes até dezembro. No primeiro semestre de 2025, as exportações de soja somaram US$ 25,4 bilhões, com queda de 9,2% ante igual período de 2024. De julho a dezembro, somaram US$ 18,2 bilhões, com alta de 20,9%. No ano, a receita avançou 1,4%.
Com safra recorde, o volume embarcado de soja em 2025 cresceu 9,5%, enquanto os preços recuaram 7,4%. A China absorveu 77% dos embarques brasileiros do grão, que respondeu por 34% das exportações ao país asiático, seguida por petróleo (20,1%) e minério de ferro (19,5%).
Para Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, a balança comercial brasileira em 2025 mostrou resiliência, com pauta de exportação mais diversificada. Para 2026, ele estima superávit de US$ 75 bilhões. O cenário é favorável às commodities metálicas, especialmente o minério de ferro, enquanto as agrícolas devem manter volumes elevados, mas sem crescimento expressivo.
A maior dúvida está nas energéticas. “Temos visto diversos movimentos ao redor do petróleo, que está com preços relativamente baixos, em torno de US$ 60 o barril”, disse Barbosa, destacando que a situação da Venezuela pode gerar efeitos no médio prazo.
Para as importações em 2026, a expectativa é de estabilidade ou leve alta em relação a 2025, com total entre US$ 280 bilhões e US$ 290 bilhões. Uma desaceleração mais intensa da economia poderia levar a uma queda, mas o mais relevante seria observar taxas menores de crescimento das importações.
André Valério, economista do Banco Inter, projeta superávit de US$ 70 bilhões em 2026, com manutenção da dinâmica observada em 2025. “Há expectativa de resolução do impasse do tarifaço dos EUA e do acordo Mercosul-UE, o que pode melhorar a balança na margem. Por outro lado, as incertezas geopolíticas seguem elevadas”, afirmou.
Segundo Valério, em 2025 o Brasil se beneficiou desse cenário ao ampliar sua participação nas importações chinesas, ocupando espaço deixado pelos Estados Unidos, especialmente nas exportações de soja no segundo semestre.
Na relação bilateral com os EUA, Lucas Barbosa observa que, apesar de alguma melhora marginal, o ambiente de incerteza afetou exportações e importações. O destaque positivo em 2025 foi a Argentina, impulsionada pela recuperação econômica. Pelos dados do Mdic, as exportações brasileiras aos EUA caíram 6,6% em valor e 3,9% em volume, enquanto para a Argentina o valor exportado cresceu 31,4% e o volume, 24,7%.
Lia Valls, pesquisadora do FGV Ibre e professora da UERJ, lembra que o tarifaço imposto pelo presidente americano, Donald Trump, alterou o dinamismo dos destinos das exportações brasileiras ao longo de 2025. “No primeiro semestre, as exportações para a China caíram em vários meses, enquanto para os EUA houve crescimento. No segundo semestre, isso se inverteu.”
Para Herlon Brandão, diretor de estatísticas e estudos de comércio exterior da Secex, a queda nas exportações aos EUA não se explica apenas pelo tarifaço. “Houve queda em petróleo, por demanda, e impactos em setores como madeira e máquinas.”
As importações dos EUA para o Brasil cresceram 11,3% em 2025. Os EUA permaneceram como o segundo maior fornecedor do Brasil, com 16,1% das importações, e também como segundo principal destino das exportações, apesar da queda. A Argentina ficou em terceiro.
A China manteve liderança consolidada tanto como destino das exportações brasileiras quanto como origem das importações. Em 2025, atingiu fatia recorde de 25,3% das compras externas brasileiras, acima do pico de 24,2% registrado em 2024. As importações da China somaram US$ 70,9 bilhões, com alta de 11,5% ante 2024.
Entre os principais itens importados da China em 2025 destacaram-se carros elétricos, eletrificados e híbridos, com US$ 3,28 bilhões, além de plataformas de petróleo (US$ 2,67 bilhões), inseticidas, herbicidas e aparelhos de telefonia, refletindo a diversidade da pauta chinesa.
(Valor Econômico)
Fonte: SINDICOMIS