:: S.Magalhães e Essemaga ::

De: Valor Econômico - 03/09/2014


Exportação sobe no 1º semestre e melhora resultado de fabricantes de bens de capital

Com vendas ao mercado doméstico em queda, ou abaixo do esperado, a exportação está fazendo mais diferença para as indústrias de bens de capital. O quadro está longe de indicar uma explosão dos embarques, mas a exportação avançou na participação do faturamento global do setor.

Para um fabricante de máquinas-ferramenta, o valor da produção brasileira embarcada em dólares no primeiro semestre cresceu 11% em relação a igual período de 2013. A fatia da exportação na receita total de máquinas da empresa passou de 7,5% no primeiro semestre do ano passado para cerca de 9% em igual período deste ano.

A exportação tem contribuído de forma positiva para a empresa, num momento em que a empresa sente os efeitos da desaceleração da atividade industrial. Na fábrica de máquinas-ferramenta, em Santa Bárbara d'Oeste, a ocupação de capacidade é de 50%. A empresa também fabrica injetoras de plástico e fundidos, além de manter duas unidades fabris na Alemanha. A receita operacional líquida da empresa cresceu 0,9% no primeiro semestre deste ano, contra iguais meses de 2013.

O diretor financeiro da empresa, Cassiano Rosolen, explica que a demanda este ano está mais fraca principalmente para os itens mais padronizados, destinados principalmente às pequenas e médias empresas. 'É o perfil de máquinas que respondem rapidamente à demanda de produção industrial.' A linha de produtos da empresa menos padronizados, destinados a grandes projetos de infraestrutura, tem desempenho melhor.

O avanço da exportação na receita não aconteceu somente na Romi. Pelos dados da Abimaq, associação que reúne a indústria de máquinas, de janeiro a julho o faturamento bruto do setor somou R$ 40,68 bilhões, valor 14,5% menor que o de igual período do ano passado. Na mesma comparação, as exportações geraram resultado de US$ 7,86 bilhões, crescimento de 18,2%. A exportação respondeu, de janeiro a julho, por 44,6% do faturamento total do setor, bem acima da média histórica de 32%.

Ainda segundo dados da Abimaq, as exportações para os Estados Unidos aumentaram 47,8% no acumulado até julho, contra igual período de 2013. Para a Europa, a alta foi de 32,5%. Para a América Latina, houve recuo de 5,7%.

Edgard Dutra, diretor da Metalplan, conta que o mercado americano é um dos que têm compensado a queda de exportações da empresa para a Argentina. As vendas para outros destinos, como Paraguai e Chile, também contribuíram. Este ano, diz, a exportação permaneceu estável em relação a 2013, mas foi importante para ajudar a segurar o resultado da empresa. De janeiro a agosto, diz, o faturamento total da empresa caiu 15% em relação a igual período de 2013, após alta de 30% em 2013.

Levando em conta a produção total da Metalplan, com o atual volume de encomendas já fechado, Dutra calcula que a indústria de compressores tem entre dois a três meses de produção garantida, longe do pico de seis meses já alcançado, mas um pouco acima do pior momento, quando os pedidos eram suficientes para um mês de produção.

Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq, considera 'incrível' a elevação das exportações este ano, mas pondera que o avanço da exportação na fatia de faturamento total da indústria também acontece porque que o resultado das vendas no mercado interno é desfavorável. Uma parte da alta, porém, ele credita ao bom desempenho aos embarques feitos por grandes companhias, entre unidades no país e no exterior.

Luis Gustavo Iensen, diretor internacional da WEG, diz que desde 2012 as exportações têm mantido participação representativa de 50% na receita da companhia. O patamar, segundo ele, foi mantido no primeiro semestre de 2013. Há, no desempenho geral da empresa, levando em conta também o mercado interno, uma expectativa de melhora no segundo semestre, que costuma ser sazonalmente mais favorável que o primeiro.

Geraldo Polezi, diretor de finanças da empresa, diz que o primeiro semestre teve resultados aquém do desejado. Segundo ele, há um aumento gradual dos negócios, após a forte paralisação observada durante a Copa do Mundo, mas ainda não é possível ver o movimento como recuperação, ou mesmo como uma normalização do nível de pedidos.

Segundo Polezi, os segmentos de motores para itens da linha branca e para diversos equipamentos industriais, que têm relação maior com o mercado consumidor doméstico, deve ter desempenho pior do que o de 2013, ainda que alguma recuperação possa ocorrer no segundo semestre.

Por outro lado, ele observa que há outros produtos em situação melhor, com destaque para os motores e outros tipos de produtos ligados à energia. Nas unidades que produzem geradores e transformadores, há um bom nível de utilização da capacidade, disse, como reflexo dos investimentos do mercado de energia elétrica.