:: S.Magalhães e Essemaga ::

De: Valor Econômico - 09/09/2014


Dólar ganha força com cenário externo

A volta das discussões sobre o risco de um aperto monetário antecipado nos Estados Unidos deflagrou uma corrida por dólares no mercado global de câmbio na segunda-feira, movimento que se estendeu às operações brasileiras e levou a moeda a registrar a maior alta diária em mais de um mês frente ao real.

As compras de dólares até perderam fôlego no fim do pregão, mas não o suficiente para impedir que a cotação fechasse em alta de mais de 1%. Os ganhos do dólar aceleraram conforme operadores reagiram a um documento do Federal Reserve de San Francisco, que reavivou expectativas de que um aumento de juros nos EUA possa vir antes que o esperado.

No fechamento, o dólar comercial subiu 1,09%, a R$ 2,2638. É a maior alta diária desde 31 de julho, quando a moeda terminou com apreciação de 1,18%. O patamar de encerramento é o mais forte desde 25 de agosto (R$ 2,2905). Na máxima do dia, a cotação foi a R$ 2,2728, em alta de 1,50%.

Pesquisadores do Fed de San Francisco concluíram com base em estudo divulgado ontem que a baixa volatilidade nos mercados financeiros pode sinalizar que investidores estão subestimando a velocidade com que o BC americano pode elevar as taxas de juros. Os economistas que conduziram o estudo dizem ainda que há evidências de que o público parece esperar uma política monetária mais acomodatícia do que a sugerida pelo Sumário das Projeções Econômicas do Fed.

Os integrantes do Fed (banco central americano) se reúnem na próxima semana para definir o rumo da política monetária do país. Na ocasião, serão divulgadas novas projeções para algumas das principais variáveis macroeconômicas, entre elas a expectativa dos agentes para a taxa de juros em períodos específicos.

Para o Morgan Stanley, os riscos que acompanham as perspectivas de normalização na política monetária americana podem reavivar preocupações com a capacidade de financiamento de alguns países emergentes, sobretudo os que possuem déficits em conta corrente, como o Brasil.

O banco lembra que o período mais relevante de alta nos rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) - entre maio de 2013 e fevereiro de 2014 - foi acompanhado por uma depreciação das moedas emergentes. Na leitura da instituição, o real está entre as divisas que podem ter uma performance mais fraca ante o dólar nesse ambiente, junto com a lira turca, o rand sul-africano e a rupia indonésia. Entre maio de 2013 e fevereiro deste ano, o real acumulou depreciação nominal de 14,67% ante o dólar.

No exterior, o dólar marcava no fim do dia alta de 1,02% contra a moeda da Austrália e 0,86% frente ao dólar canadense. Entre as emergentes, a divisa americana subia 0,81% ante o peso mexicano, 0,62% frente à lira turca e 1,22% na comparação com o rand sul-africano.

A alta do dólar ontem ocorreu também em meio a especulações do lado eleitoral. Ao longo do dia, comentou-se nas mesas de operação sobre novas pesquisas eleitorais encomendadas pelos partidos, que teriam mostrado um desempenho mais fraco de Marina Silva (PSB) nas intenções de voto à Presidência da República.